FACES DO CRIME: A tragédia que se abateu sobre o presídio de Manaus choca o país

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Fonte: Renato Souza

A tragédia que se abateu sobre um presídio na cidade de Manaus mostra a crueldade de que são capazes detentos, que estão sujeitos a serem liberados a qualquer momento, sob o entendimento da Justiça de que já cumpriram sua pena e não representam mais risco à sociedade. A morte violenta de 60 detentos, que foram decapitados e esquartejados por internos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, revela o tipo de ser humano sem limites no qual a sociedade está refém. Com investimentos insuficientes na segurança pública, leis brandas e que dão margem para progressão de regime, de fechado para semiliberdade, até mesmo para detentos que cometem crimes hediondos, lança na sociedade integrantes de facções que dominam territórios, seja dentro ou fora dos presídios. Os mesmos detentos que mataram com requintes de crueldade, podem ser soltos dentro de alguns anos, tendo em vista que o Brasil não existe aplicação de prisão perpétua. Pesquisa inédita realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) a pedido do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revela que a cada quatro ex-condenados, um volta a ser condenado por algum crime no prazo de cinco anos, uma taxa de 24,4%. O resultado foi obtido pela análise amostral de 817 processos em cinco unidades da federação – Alagoas, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro. O estudo considera apenas o conceito de reincidência legal – conforme os artigos 63 e 64 do Código Penal, só reincide aquele que volta a ser condenado no prazo de cinco anos após cumprimento da pena anterior. O resultado revela a ineficiência do Estado em impedir o acesso ao crime, definir políticas sociais e punir exemplarmente criminosos que aterrorizam a sociedade. Com armas defasadas em muitos estados, a polícia enfrenta com dificuldades grupos de criminosos organizados e “profissionais”, que aterrorizam até mesmo dentro dos presídios de segurança máxima. Acompanhadas pelos olhos da sociedade e sob os holofotes da imprensa, a tragédia em Manaus e o ataque de um homem enfurecido que matou 12 pessoas em uma festa de réveillon em Campinas-SP, revela que o Brasil tem seus próprios terroristas domésticos, que desafiam até as nações mais ricas. Com um sistema jurídico, carcerário e de segurança de um país emergente, o Brasil enfrenta o terror temido por nações de primeiro mundo.

Foto: Reprodução



Jornalista - MTB 10997-DF/ Radialista - DRT-DF 6416 Poeta, escritor, autor do livro de poesias "Explicação Universal" lançado pela editora Scortecci.


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